"É uma situação nova em Portugal. Em Inglaterra houve uma banda associada a um clube, mas em Portugal é inédita esta parceria, que traz benefícios tanto para o Marrazes como à banda", explica o presidente do clube, Carlos Valente. Mais que uma fonte de receita, esta é uma aposta com que o Marrazes pretende chegar a um público-alvo mais jovem, mas o presidente sublinha "a grande aceitação" de todos os sócios. Nesse sentido, em breve, SCLM, TAP e Rastilho vão até comercializar na sede e online uma linha de roupa com a imagem do clube e da banda, um dos items de um protocolo que incluiu o pagamento de uma verba ao clube, cujo montante não é divulgado pelos responsáveis.
A ideia do patrocínio partiu de Tiago Carvalho, que foi jogador das camadas jovens do SCLM e hoje é guitarrista dos TAP. "É um orgulho para nós ver a equipa sénior do Marrazes vestir uma camisola com o nome da banda e o emblema do clube", assume o antigo ponta-de-lança. Mais conhecidos internacionalmente que em Portugal - vendem mais para o estrangeiro que cá e o primeiro disco vai ter edição nos EUA ainda este ano - os TAP encontram neste patrocínio uma forma de serem falados porque o seu nome entra todos os domingos nos campos de futebol do distrito de Leiria. "O nosso público não são as pessoas que vão aos jogos do Marrazes, mas isso pode ajudar-nos se falarem de nós. Acima de tudo, é mais uma parceria que um patrocínio", explica Tiago Carvalho.
O responsável da Rastilho, Pedro Vindeirinho, igualmente ex-atleta do SCLM, reconhece que a ligação tem também um lado emocional: "O valor que pagámos não é astronómico, mas não é uma verba que muitas bandas em Portugal possam pagar. E aparentemente é um mau investimento quer para a banda, quer para a editora. Era mais vantajoso patrocinar uma equipa da III ou II divisão, mas este é um investimento mais com o coração do que com a cabeça. Mas não deixa de ser marketing". Afinal, "qual é o clube num Distrital que tem uma loja online para vender camisolas, casacos e outros produtos merchandising? É uma ideia também inovadora nesse sentido", lembra o responsável da editora.
Com o lançamento de um EP agendado para as próximas semanas e a preparar um novo CD para sair em 2009, os TAP viram "Your reward... a bullet", de 2007, ser considerado por publicações especializadas em música como um dos 10 melhores álbuns pós-rock do ano passado. "Em Portugal é impossível a música deles passar nas rádios, porque é uma música instrumental, sem voz. Mas na Alemanha, por exemplo, vendem muitos discos", conta Pedro Vindeirinho.
Fonte: Record



